O comentário a seguir foi inspirado no texto Nada de novo, uma ova (http://contoseafinslucianesilva.blogspot.com/2009/01/nada-de-novo-uma-ova.html), de Luciane Silva. Achei o tema instigante e.... blabla... segue o comentário. Obrigado, Luciane.
Concordo em grande parte com o que você coloca sobre a cegueira atual ao não reconhecer o novo, talvez até por não reconhecer a arte como um processo histórico cujo exame requer certo distanciamento. Reflete também, a meu ver, uma postura muito defendida pelos “pós-modernistas”, especialmente Jameson quem pressupõe que os estilos contemporâneos cheios de anacronismos e pastichos têm sua origem na impossibilidade de criar algo novo.
Penso eu que, de fato, é difícil imaginar hoje inovações estilísticas que irrompam violentamente dentre o ecletismo, a pluralidade e o hibridismo das produções culturais atuais. No entanto, este tipo de postura arroga à contemporaneidade um status de completude que descarta a possibilidade de uma história-devir, atribuindo-lhe um peso museológico que contemplaríamos do alto de nossa integridade. É um contra-senso imaginar que uma inovação possa ser vislumbrada a priori, ela sempre será identificada a posteriori quando já fizer parte de nossa coleção de estilos reconhecíveis, caso contrário não será de fato uma inovação. Profetizar sobre inovações estilísticas é possível em qualquer época, prevê-las com certeza, não.
Por outro lado, acredito que a postura de negar o surgimento do novo na arte tem muito a ver com o fato de esta também constituir um saber sujeito a inúmeras relações de poder, que em seu belicoso desdobramento encontram mais facilidade em atribuir valor a uma obra de arte extemporânea – à qual se possa aferrar como ícone seminal que repousa à nascente de tradições que possam legitimar uma determinada postura ou estilo – que em dialogar com o contemporâneo.
De qualquer maneira, acho prudente desconfiar sempre tanto do neofilismo exasperado que se apressa em reconhecer o caráter revolucionário de qualquer evento, obra, acontecimento e se vê sempre às turras para cunhar um novo termo, em geral um aglomerado de prefixos “pós-pós-pós”, quanto daquelas mais conservadoras que se anegam no passado em busca de legitimação. Nesse sentido, compreendo que o universal, ao qual você se refere, não reside em uma essência imutável à qual determinados artistas teriam um acesso privilegiado. O universal é constantemente redefinido dentro do contexto de tais relações de poderes e saberes e, desta forma, tem restituído seu historicismo.
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2 comentários:
Eu é que agradeço! Bj!
Dá-me teu mail que envio o conto para leres! Bj!
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