"Creio que dormi tempo demais e perdi o momento em que a América Latina saiu da crise, para agora poder dizer que entrou em crise. Tempo demais para ver o dia em que a África chegou ao status de um continente que pode finalmente afirmar 'estamos em crise'. Acordei justamente com os alaridos de Lula, hoje presidente, ensinando a Bush, mas já alvejando Obama, que o capital deve ter origem no trabalho. Chega de capital especulativo! Clamores, tambores, tamborins, chegou o Carnaval.
De novo todos apontam o dedo para a superfície como se identificassem a causa, alvoroçam-se com a marola para não olhar para os estragos na placa tectônica. Mas como não sou geólogo, vamos direto ao ponto. Lula, Bush, Obama, Osama, Microsoft, Google, são todos cogumelos parasitas de uma mesma árvore cujo tronco está por ruir.
Não é o mercado financeiro, antro de pecadores e hereges que se travestiram em ternos e gravatas de prósperos investidores, o culpado de tudo. Isto é mais um dos efeitos. A 'crise' está no próprio esgotamento de um modelo de produção que já não precisa de trabalhadores, mas não pode dispensar os consumidores. Como cultivá-los? De onde tirá-los? Basta expandir a sua lógica de produção infinita ao todas as esferas da vida, aos serviços, às artes, às apostas. Mas eis que isso só não se sustenta e a 'crise' é postergada a cada pacotão se 'agrava'. Mas não há motivo para pânico, dizem os economistas, especialistas em quimeras, alquimistas do capital, no terceiro trimestre do ano tudo voltará ao normal. Mais um pouco de seiva injetada no putrificado tronco. Mas não há motivo para pânico, digo eu, Johann, afinal, o pior que pode acontecer é a árvore ruir de vez."
Citação de Johann Von Basten Moreira da Silva Andrade Neves *
NEVES, Johann V. B. M. S. A., "Eu tenho todas as respostas, mas não me pergunte nada", Editora Basten S.A., São Paulo, SP; p. 744
segunda-feira, 9 de março de 2009
Revolucionários...
“Revolucionários (ou revoltados) há de dois tipos:
Os de classe média, brancos, que remoem a culpa até vomitá-la em palavras enjoativas. Em geral, recorrem à ironia na esperança de não cometer a indignidade de falar pelos outros. Deus os livre. Denunciam a petulância e satirizam sua própria condição.
Os intelectuais das classes baixas. Em geral, são toscos, proferem inúmeras nescidades e frases copiadas no intento de soar tão “lúcidos” como os de classe média. Reproduzem os esquemas de enunciação e estruturação dos documentários da TV Cultura. Os primeiros, também não são tão mais brilhantes, buscam sua fonte de inspiração em qualquer intelectual francês da hora.
Outros, ainda, aparecem nas classes baixas. São os que renunciam ao verbo e procuram outras formas de expressão, diferentes das dominantes. Em geral, remetem ao "primitivo", recorrem a gritos, sons guturais, gestos desmesurados, olhos esbugalhados, etc. Mas ainda mais grotesco é quando os intelectuais da classe média se encantam com estes tipos e passam a reproduzir em esferas mais elevadas da cultura aqueles rituais bestializados, alegando tratar-se de uma forma de resistência mais autêntica.
ENFIM, QUANTA INÉPCIA!”
Citação de Johann Von Basten Moreira da Silva Andrade Neves *
NEVES, Johann V. B. M. S. A., "Eu tenho todas as respostas, mas não me pergunte nada", Editora Basten S.A., São Paulo, SP; p. 579
Os de classe média, brancos, que remoem a culpa até vomitá-la em palavras enjoativas. Em geral, recorrem à ironia na esperança de não cometer a indignidade de falar pelos outros. Deus os livre. Denunciam a petulância e satirizam sua própria condição.
Os intelectuais das classes baixas. Em geral, são toscos, proferem inúmeras nescidades e frases copiadas no intento de soar tão “lúcidos” como os de classe média. Reproduzem os esquemas de enunciação e estruturação dos documentários da TV Cultura. Os primeiros, também não são tão mais brilhantes, buscam sua fonte de inspiração em qualquer intelectual francês da hora.
Outros, ainda, aparecem nas classes baixas. São os que renunciam ao verbo e procuram outras formas de expressão, diferentes das dominantes. Em geral, remetem ao "primitivo", recorrem a gritos, sons guturais, gestos desmesurados, olhos esbugalhados, etc. Mas ainda mais grotesco é quando os intelectuais da classe média se encantam com estes tipos e passam a reproduzir em esferas mais elevadas da cultura aqueles rituais bestializados, alegando tratar-se de uma forma de resistência mais autêntica.
ENFIM, QUANTA INÉPCIA!”
Citação de Johann Von Basten Moreira da Silva Andrade Neves *
NEVES, Johann V. B. M. S. A., "Eu tenho todas as respostas, mas não me pergunte nada", Editora Basten S.A., São Paulo, SP; p. 579
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